A Menina Santa

Umas duas semanas atrás conheci, bem por acaso, uma das diretoras do novo cinema argentino. Uma amiga já havia me falado a respeito de Lucrécia Martel e seu primeiro longa metragem "O Pântano" que procurei na minha pequena locadora de bairro, mas como disse, pequena demais para conter bons filmes, provavelmente vou encontrar numa flash ou blockbuster da vida. Essas "megas" costumam ter um grande acervo, não porque são conhecedores de filmes e gostam de cinema, mas porque precisam vender e vender significa agradar todos os gostos.

Mas sobre o que falava mesmo?? Ah! Sobre Lucrécia. Pois bem, conhece-la foi uma experiência pertubadora, tanto que só depois de duas semanas tomo coragem para falar sobre o assunto. Fiquei pensando em como ela conseguia me fazer não parar de pensar sobre seu filme. O filme em questão é "A Menina Santa". Não tinha a menor idéia do que ia ver, somente o nome da diretora serviu como impulso.

Para quem já leu até aqui perdoe-me, mas não vou falar sobre a história do filme, tenho medo de estragar a surpresa e nem tenhho a pretensão de fazer crítica de cinema. Vou falar apenas das minhas sensações que foram muito intensas.

Na produção, um músico de rua extrai uma belíssima sonoridade de um instrumento chamado theremin. Aí para mim está todo o sentido proposto em "A Menina Santa". Quando se diz tocar um instrumento se imagina toca-lo mesmo, encostar, pegar. No caso do theremin é possível extrair um som sem toca-lo diretamente. É na sensualidade do theremin que Lucrécia trata de sexualidade e não só isso. Seu cinema é polêmico e elementos como religião, homossexualismo e até pedofilia permeiam o enredo. É cinema sexual sem ser vulgar, aliás, é sensual e não sexual. Palavras tão parecidas e tão diferentes. É onde os corpos se aproximam, mas não se entrelação, onde há respiração intensa ao pé da nuca, mas não a pegada forte na cintura. É cinema de intenção e desejos, não de atos. Porque as ações Lucrécia deixa para que tenham sentido mais no imaginário subjetivo de cada espectador do que limitar a ficção como fazem os filmes fast food.

Simplesmente fabuloso! Viva o novo cinema argentino!  



Escrito por La Femme D'Argent às 12h55
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]





Meu perfil
BRASIL, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, Arte e cultura, Cinema e vídeo, Livros, Música e Dormir.


 


Histórico
22/04/2007 a 28/04/2007
15/04/2007 a 21/04/2007
01/04/2007 a 07/04/2007
25/02/2007 a 03/03/2007
11/02/2007 a 17/02/2007
31/12/2006 a 06/01/2007
17/12/2006 a 23/12/2006
22/10/2006 a 28/10/2006
15/10/2006 a 21/10/2006
20/08/2006 a 26/08/2006
09/07/2006 a 15/07/2006
23/04/2006 a 29/04/2006
16/04/2006 a 22/04/2006
09/04/2006 a 15/04/2006
02/04/2006 a 08/04/2006
19/02/2006 a 25/02/2006
15/01/2006 a 21/01/2006
08/01/2006 a 14/01/2006
01/01/2006 a 07/01/2006
25/12/2005 a 31/12/2005
18/12/2005 a 24/12/2005
11/12/2005 a 17/12/2005
04/12/2005 a 10/12/2005
27/11/2005 a 03/12/2005
20/11/2005 a 26/11/2005
13/11/2005 a 19/11/2005
06/11/2005 a 12/11/2005
30/10/2005 a 05/11/2005
23/10/2005 a 29/10/2005
16/10/2005 a 22/10/2005
09/10/2005 a 15/10/2005
25/09/2005 a 01/10/2005
18/09/2005 a 24/09/2005
11/09/2005 a 17/09/2005
04/09/2005 a 10/09/2005
28/08/2005 a 03/09/2005
21/08/2005 a 27/08/2005
14/08/2005 a 20/08/2005


Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
surfing on a rocket
revista paradoxo
porta curtas
omelete
epinion
psicodog
internetc
cinema em cena
karapanã
absolutamente nada
absurdete
bloquinho de papel
simples assim
carapuceiro
prolixa por amor a palavra
outsiders
esdruxulo
a idade da razão
the gipsy cab
caderno branco
todo sentimento
chucrute com salsicha
naja do cerrado
somewherenice
previsão do tempo
redatoras de merda
no mínimo
blonicas
moda sem frescura
observatorio de sinais
misquilinas
inveja de gato
ócio quase criativo
mothern
só em NY