O único erro do doce

Os doces sempre tiveram para mim, gosto de felicidade, jeito de criança lambuzada no quintal, gente viciada em chocolate que saqueia a caixa de bombons, surpresa no fim da tarde, goma grudada no último dente e dedo lá no fundo para tirar, papel de bala freggels com nozinho no meio para desamarrar e ganhar beijo.
Não faz muito tempo descobri que o gosto doce também pode ser amargo (engraçado... demorei tanto tempo para descobrir isso?) e fiquei morrendo de medo que as balas me pregassem uma peça, ou pior, que instaurassem uma revolução. Embora contra minha vontade, foi mais ou menos isso que aconteceu.
A doce abelha rainha, dona do meu apiário e motivo de estar aqui tem agora um negócio de nome feio, estranho chamado diabetes, consequência de algo tão bom, o que me assustou um pouco. Afinal de contas ela que sempre tinha uma jujuba na bolsa para oferecer e não tinha vergonha de escancarar uma boa gargalhada com aquele pedacinho gelatinoso na boca agora teria que mudar seus hábitos e passar longe de qualquer espécie de doce. Era como se caminhasse em uma Sweet Factory e não pudesse tocar em nenhuma daquelas delicias senão levaria um tapa na mão.
Fizemos todos os exames e eu, que sempre achei que açucar era o melhor dos manjares, agora a acompanho em testes mensais que controlam taxa de açucar no sangue.
Minha abelha não mergulha mais em um pote de mel como costumava fazer, nem tão pouco se esconde atrás daqueles pirulitos enormes que colocava em nossas lembrancinhas de aniversário, mas continua sorrindo e fazendo a vida de quem a cerca um pouco mais feliz. Principalmente quando a pegamos em flagrante tentando abrir depressa um pacote de jujubas coloridas antes que alguém a chame atenção. Então ela abre aquele enorme sorriso do tipo "ah! é só umazinha" e ficamos desarmados só de pensar que vamos acabar com a alegria de uma jovem mãe que aos 50 preserva o jeito moleque de quando ainda tinha 8 anos. Além do mais, dizer o que se os momentos doces são tão bons?
Ps: desculpe a pieguice e ingênuidade. o post de hoje tem gosto doce, gosto de mãe.
Escrito por La Femme D'Argent às 01h10
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Pré-pós-tudo-bossa-band... Mente sempre muito bem

A bela colunista do Sex and the City, Carrie Bradshaw, se perguntou certo dia por que existem tantas solteiras incríveis e nenhum solteiro incrível. Eu refaço a pergunta e acrescento. Por que existem tantas solteiras incríveis e nenhum solteiro – heterossexual – incrível?
Pois bem, vejam só. Estamos cercadas de nossos amigos, lindos, charmosos, inteligentes, aquele tipo tudo-de-bom que tem um bom papo, aliás, são aqueles caras que queremos sempre estar junto porque tem papo pra tudo, conhecem as bandas legais, os filmes bacanas, são sensíveis, entendem você como ninguém, tem amigos divertidos e mais, escutam as cantoras nacionais com você sem dizer que está ouvindo música de fancha. Enfim, tanta coisa boa não podia dar em outra coisa. Vão continuar sendo nossos amigos porque o que temos eles não querem. E quando, por algum milagre do divino – se é que você acredita em milagres – os rapazes não são ouvintes de Gloria Gaynor, com toda certeza tem namorada, caso, coisa que o valha ou preferem as relações virtuais a se arriscar nas decepções do carne e osso ou são workholics.
Digo isso não porque estou à procura de um par, já achei minha exceção. É que mesmo com todo mundo esbravejando por aí suas pós-modernidades, me parece que o que boa parte quer é o velho chinelo para os pés descalços e cansados de procurar alguém legal. Porque nós queremos os amigos, mas os amantes também.
É como diz um desses meus amigos...
“Homem bom é aquele que coça o saco, cospe no chão e te pega com força”
Escrito por La Femme D'Argent às 11h54
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