Anonymous Writers

Faça o seu próprio roteiro diz o agente de viagens. E se o todo poderoso, o destino ou o acaso estiverem muito ocupados e não puderem roteirizar a sua vida? Não esquenta... As meninas 02 Neurônios dão uma forcinha. Dê uma olhadinha nesse texto de Jô Hallack, Nina Lemos e Raq Affonso publicado no site da Folha online do dia 26 de novembro. Acho que o meu roteiro está mais para uma mistura de Michel Gondry e escritor anônimo, mas se você adora dramas existencialistas e posa de boina na cafeteria cafuso... então corra para o roteiro nouvelle vague.
Escrevendo vidas
Luis Buñuel (cineasta espanhol surrealista, diretor de "O Anjo Exterminador", um filme onde as pessoas ficam presas em uma festa sem conseguir sair dela -dá muita aflição) Os acontecimentos não têm nexo. Você começa a sair com um cara incrível até que um dia ele diz a você que já é casado. Com uma ovelha. Aí você se separa e começa a freqüentar orgias, só que em vez de fazer sexo, os participantes ficam falando frases loucas. É exagero. Mas, às vezes, temos a sensação de que há algo de surreal em nossas vidas.
Hitchcock (o gênio do suspense) Sua existência será cercada de suspense. Uma noite, você está arrumando uns papéis na sala e de repente vê um assalto e uma perseguição de carros no estacionamento em frente. Bem "Janela Indiscreta". E o pior é que isso aconteceu mesmo com uma de nós!
Groucho Marx (o comediante mais importante dos anos 30) Você resolve ir a uma mostra de videoarte insuportável. Você começa a falar mal da videoarte, aí escorrega numa casca de banana no museu e todos os artistas plásticos começam a rir de você. Isso também já aconteceu.
Eric Rhomer ou Godard (cineastas da nouvelle vague) Achamos que a nossa vida parece um filme do Rohmer ou do Godard quando estamos brincando de morar na França. Viramos existencialistas, glamourosas, passamos o dia de boina, sentadas em cafés e falando sobre os males do mundo e do amor. Nosso charme é sutil. É claro, a vida nouvelle vague é triste. Mas é bonita. Achamos que a nossa vida é assim quando sofremos e damos um jeito de transformar esse sofrimento em algo, digamos, glamouroso.
Gilberto Braga Às vezes aparecem em nossas vidas uns clones da Laura, aquela vilã de "Celebridades". Essa é uma vida horrível, com planos de vingança e decadências terríveis. Roteirista anônimo ruim Como são seis bilhões de pessoas, Deus é obrigado a escalar profissionais ruins. Nesse caso, sua vida é um tédio. O dia passa e nada importante acontece. Os personagens são péssimos e estereotipados. A começar por você, que só fala clichês.
Momentos de histeria
A vida tem dias de capítulos ruins
Escrito por La Femme D'Argent às 14h19
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O silêncio é o novo barulho

Nylon ou aço, os rapazes do Kings of Convenience (que nada tem a ver com aqueles texanos estranhos do Kings of Lion) extraem dos violões uma deliciosa sonoridade folk, com elementos do jazz pra lá de assobiáveis. Made in Noruega, mais exatamente da bela cidade de Bergen, tocaram no Brasil no último Tim Festival.
Fiquei sabendo da banda após de ter visto um trecho do show na MTV (sim, por incrível que pareça a emissora ainda passa algumas coisas legais) e desde então peregrinei no soulseek em busca de algum disco dos caras.
Um lance meio bossa nova e rock and roll, eles tem sido comparados a dupla Simon and Garfunkel, com influencias de gente como o Belle and Sebastian. Comparações à parte, o duo cordas e mais cordas não sai da minha playlist. É bom que dou um desconto para o namorado que já não suportava mais me ouvir cantar o último da Zélia Duncan.
Escrito por La Femme D'Argent às 13h09
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A vida é como um talharim

Sabe aquelas crianças de novela que na maioria das vezes, forçadamente, não parecem crianças? Lembra daquele moleque chato, o Raí, da novela das seis? É, eu sei que tem gente aqui que não costuma ver novela, mas esse é só um exemplo bobo para dizer que não gosto de crianças metidas à gente grande. Criança tem sim é que brincar de pique-qualquer-coisa, pular, lambuzar, sujar, montar, desmontar, andar descalço, fazer da caixa de papelão um carro, criar caso porque quer ficar mais um pouco no balanço. Claro que não é preciso falar com elas como quem fala com um retardado, mas é preciso aproximar-se.
Domingo estranho, meio chuvoso, meio sol querendo sair. A locadora foi um destino inevitável. Chegando lá, a maioria dos filmes legais tinham sido alugados no sábado... Upf! Ele sugeriu um filme que já tinha visto no Rio. E eu achando que veria mais um filme de criança grande, me enganei. Valentin (esse menino aí de cima) apesar do visual, não é mais uma daquelas crianças exploradas em filmes hollywoodianos (até porque o vídeo é argentino) como o inteligente que não tem amigos e blá blá blá. É só mais um pequeno que convive com gente grande e, naturalmente, absorve toda essa atmosfera de adultos cheios de problemas. Gente grande é complicada demais e Valentin tenta simplificar o cotidiano. Vive com a avó que o chateia com reclamações, mas é sua única família. O pai só aparece para dar-lhes o dinheiro do mês, a tia fugiu com um taxista, o tio aparece de vez em quando trazendo alegria do mundo tecnológico dos anos 60 e a mãe o deixou bem novo. Oito anos e quer ser astronauta, embora descubra, mais tarde, que seu talento é outro.
Um misto de risos e lágrimas e você já está envolvido com a história do menino. Sensível sem ser piegas, Valentin dá uma rasteira na tal difícil e chata vida adulta. Só não vou dizer o quanto me surpreende essa nova safra de filmes argentinos porque seria mais do mesmo.
Escrito por La Femme D'Argent às 12h57
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BRASIL, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, Arte e cultura, Cinema e vídeo, Livros, Música e Dormir.
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