“A LINGUAGEM TEM O PODER DE REGISTRAR A FUGACIDADE DO TEMPO” – Francisco Merçon
Pela manhã vi um arroz de algumas semanas sendo retirado da geladeira. Sabe como é a vida de quem mora sozinho [não, eu não moro só, ele sim]... Às vezes coisas ficam esquecidas e você sempre espera que elas continuem do mesmo jeito que as deixou, mas a ação do tempo é cruel e não perdoa.
A aparência embolorada, esverdeada e bela [por que não?] no arroz me fez lembrar do blog que há muito, talvez por preguiça, falta de tempo ou idéia que faça valer um post, não era atualizado.
Quando sobe o cheiro incomodo do mofo parece ser hora de acabar com ele. Mofo me lembra sempre coisa guardada, coisa que já não serve mais, me lembra cheiro de naftalina no armário, mesmo não tendo nada a ver. Entretanto, como não gosto da pedra branca que cheira a irmã da “Deus é Amor” [daquelas de cabelos infinitamente compridos, pelos grossos e também infinitamente compridos nas pernas, bigode e a ausência de um cosmético qualquer que alivie o odor característico do corpo após horas com aquela blusinha rosa pink de ombreira e botão por dentro da saia amarrada por um cinto], sem generalizar, é claro, prefiro a faxina e a reorganização da casa. Embora goste muito da sensação de abrir o guarda-roupa e encontrar algumas peças que já não me servem mais, mas que são necessárias para satisfazer as lembranças. Como aquela calça 36 que não suporta a nova numeração do quadril, mas que de vez em quando insiste em subir pelas minhas pernas, nem que para isso seja preciso aquela ajeitada clássica em cima da cama. Dessa mesma forma gosto de reler posts antigos, simplesmente para lembrar, ou mesmo para esquecer bobagens que nunca deveriam ter saído do meu pensamento. É isso... Eu acho...
Mudando um pouco de assunto, deixo de pensar por um momento em voz virtual sobre meu ostracismo bloguístico para comentar sobre três filmes que recomendo. Um que vi anos atrás, outro que vi ontem e um outro que ainda não vi, mas levando em consideração a direção e o elenco, não tenho dúvidas de que valerá o ingresso ou para os mais ansiosos como eu, as longas horas em busca da película no soulseek. Vamos a eles:
Amores Expressos
Wong Kar Wai – 1994
Kar Wai fez um filme especialmente doce sem cair nos clichês de um romance. Faye Wong, protagoniza uma quase Amelie oriental, em situações inusitadas, dignas de imaginações no balcão de um fast food e amores misteriosos.

Match Point
Woody Allen – 2005
Talvez nesse, Woody dê continuidade a interrogação de Melinda e Melinda. A “dualidade do drama humano através das máscaras da tragédia e da comédia”. O sempre jazz cede lugar a ópera [trilha necessária em Match Point] que fez com que meu corpo sofresse uma leve inclinação várias vezes da cadeira e levasse as mãos ao rosto por instantes. As piadas refinadas, ácidas, de humor negro continuam lá, embora mais contidas. Mais denso que os últimos filmes de Woody, é do tipo que faz você sair da sala de cinema querendo pensar e conversar um pouco mais sobre tudo que foi visto. Além disso, num surto feminino, não dá para perder Jonathan Rhys-Meyers interpretando o sexy e objetivo Chris Wilton.
Ps: Claus, se você ler este post não deixe de ver este filme, pensamos em você assim que saímos do cinema.

La Vida Secreta de las Palabras
Isabel Coixet – 2005
Este é o que ainda não vi, ainda não chegou por essas bandas. Mas só de saber que é da mesma diretora de Minha Vida Sem Mim e que na trilha tem Hope There’s Someone do Antony And The Johnsons creio não ser preciso dizer mais nada. Para quem assistiu Minha Vida... sabe do que estou falando, para quem não viu é bom fazer um favor a si mesmo, corra para um locadora neste instante.

Escrito por La Femme D'Argent às 12h53
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